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| Cultura Livreira |
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Reconhecemos a Cultura Livreira como o curso em que o pensamento e a imaginação percorrem até chegar à forma gráfica escrita ou impressa que lhe serve de suporte, o Livro.
Desde a invenção da imprensa o livro é o mais recorrente suporte do pensamento científico, artístico e religioso, das representações do mundo e da vida. Manifestação de um gesto humano primordial, a escrita, o livro forjou ao longo de sua história uma arte muito particular. Sua própria arte. Discreta e para muitos, invisível, a tipografia, também chamada arte negra, constitui a essência mesma do Livro, respondendo pela visibilidade e materialidade das formas do impresso, do escrito.
Assim, o livro que folheamos nas livrarias ou apreciamos em nossas bibliotecas, não somente guarda as idéias do autor, as expectativas dos leitores ou os valores de uma época. Muito além do sentido da palavra que carrega, repousa sob a sua arquitetura o saber sutil que escolheu o papel, o formato da página, a seleção e a aplicação dos tipos, o emprego das tintas, a arte da capa, a qualidade das ilustrações, a obra de composição. Por entre suas páginas esconde-se certo Cuidado, a Presença do seu ser gráfico, matéria técnica, estética e espiritual que conjuga visão, toque e pensamento.
Da perfeita harmonia entre o pensamento e a arte tipográfica, dá-se o encontro fecundo da palavra com o homem. De modo que aquilo que o espírito tornado inquieto deseja, se lhe apresenta como solução ou simplesmente, fruição.
Hábito inseparável para alguns, salvação para outros. Afeto, loucura, desejo. O Livro é aventura da imaginação, alegria silenciosa e amizade sem preço. É Sonho, repositório do pensamento, promessas em que se acumulam as gerações. Conhecimento, poder, trabalho, confissão. Desvelamento deste mundo, criação de outros. Lembrança, esquecimento, ilusão. Retorno e partida. Memória da herança de todos os homens e mulheres de todos os tempos. É o desprendimento e a companhia.
Resultado das circunstâncias tecnológicas e espirituais de uma época, é também a companhia única da solidão mais perfeita.
Eis o Livro, palavra que reinventa cada um de nós nomeando as coisas e dando sentido ao mundo. A forma como um povo vê a si mesmo. Como defende suas escolhas. E como, inexplicavelmente, as quer imortalizar.
Está no sentido do ser do livro servir de suporte e expressão às culturas. Neste sentido, uma cultura de culturas.
No livro, cuidado, engenho, discernimento e conflito convivem.
O movimento reapropria-se do tempo, e a imaginação, filha da memória, alimenta incorruptível as gerações.
Ao menos enquanto houver no tempo a idéia de perenidade.
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